sábado, 26 de maio de 2007

Trabalho de Consciência



Todo mundo quer conscientizar todo mundo de alguma coisa. As pessoas que compõe a sociedade querem divulgar os seus valores de tal forma que não seja discutido como a melhor escolha. É um trabalho árduo, cansativo e de poucos resultados principalmente se levarmos em consideração a individualidade de pensamentos que recebemos através da consciência que nos foi dada pela educação. Então também fomos conscientizados a sermos questionadores, individualistas?

É engraçado como vemos por aí tantos movimentos. É o MST querendo nos conscientizar da sua causa. São os radicais políticos querendo nos conscientizar de que o Bush não presta. São os religiosos querendo nos conscientizar de que o aborto não pode ser liberado. Enfim, temos que lidar com tantos valores que realmente o trabalho de conscientização não funciona.

Essa questão do aborto chega a ser meio arbitrária. Não que eu seja a favor da técnica, eu sou a favor do direito de escolha. No meu entender o ser humano tem direito de fazer todas as opções que quiser e depois arcar com as conseqüências delas. O fato do aborto ter sido proibido todos esses anos não evitou que ele fosse feito. O trabalho dos dogmas religiosos, dos valores morais, devem ser praticados nas igrejas, nas residências, mas o direito de escolha tem que estar nítido. Para a maioria das pessoas nada vai mudar, pois a sua consciência já está idealizada.
Não é o fato da lei existir que vai impedir de praticar tal ato. Muito se perde por essas questões sociais por não saber enxergá-las de forma correta o que obviamente dificulta a sua administração. A questão de vamos para a rua para lutar pelo “Direito a Vida” deveria estar focada nos milhares de crianças que estão vivendo como indigentes debaixo de viadutos, dormindo ao relento. A partir desses problemas solucionados podemos partir para um próximo estágio, pois chega a ser ridículo que a mesma igreja ou templo, e aí me refiro a qualquer religião, que abriga na sua porta, na sua escadaria tantas crianças necessitadas e quando o ritual começa todos são retirados para não atrapalhar a entrada dos passantes. Convenhamos, não faço apologia ao aborto, mas faço sim apologia ao direito de escolha de como conduzir a minha vida e as conseqüências que eu tiver que arcar, seja com Deus, com a minha consciência ou que quer que seja. Se Deus nos deu o livre arbítrio, por que o homem se sente no direito de impedi-lo?

Não é uma questão de modernização ou se adequar aos tempos, o trabalho de consciência não se ganha com passeatas ou situações criadas para forçar uma barra. O trabalho de consciência parte da família, aonde se forma um exemplo de vida, parte da comunidade, aonde se identifica o que é certo do que é errado a partir dos exemplos de vida, da sociedade, aonde se critica e altera comportamentos através da formação do caráter do indivíduo.

Sejam questões religiosas, sejam questões políticas, sejam questões sociais, todo o trabalho precisa ser feito na fase de latência social. Tudo tem que estar claro, mas acima de qualquer coisa deve haver o direito de escolha evitando as manipulações de quem acha que tem poder de conscientizar a você de que não deve ouvir a si mesmo, de que esse alguém está mais apto a opinar na sua vida mais que você mesmo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sinceramente, as vezes acho que eu sou o único louco por ter estas idéias. Fico feliz por encontrar alguém que também tenha essa noção.