terça-feira, 19 de junho de 2007

Dedicando-se



Cuidar de alguém vai além de se dedicar. Tem que ser um estado de espírito. Algo que se faça sem se pressentir obrigação. Estamos falando de cuidar por amor, de ajudar, ensinar, amadurecer, ou seja, aprender a lidar com as diferenças que a imaturidade proporciona. Tem que ser um sentido único, um taxa de prioridade tão alta que ao mero tilintar de um brilho diferente nos olhos, já se possa pressentir tudo que está acontecendo.

Essa dedicação é um reconhecimento ao amor que se dedica. Não pode ser cobrado, mas tem que ser recíproco para que a felicidade seja completa. Às vezes caminhamos por estradas e quando encontramos um cruzamento precisamos encontrar a saída certa. Um não pode ir pela esquerda e o outro pela direita. É preciso que nesse primeiro cruzamento um siga pelo outro, mesmo tendo a nítida certeza de que foi a escolha errada. Mas no outro cruzamento, que não haja cobranças e o favorecido por livre e espontânea vontade siga pelo caminho do bem amado. Tudo isso para que? Para fazer a escolha de cuidar.

Tudo isso vai muito além de beijos e abraços, carinhos e afagos e doces palavras em momentos fraternos. É um bem estar tão profundo conduzido pelo sorriso do seu tão estimado amor. E o outro precisa saber até onde ir para favorecer a sua cara metade a ponto de ver o mesmo sorriso estampado no rosto. Até o ponto que se torne uma competição de quem faz o outro mais feliz. Algo saudável, sem o estigma de estar fazendo demais. Nunca é demais quando se ama.

Pode-se até ter a sensação de perda de identidade. Mas na realidade é um ganho. Ao cuidar de alguém você o assimila dentro de vocês como se fosse uma fagocitose sentimental. É preciso ver nos olhos do outro o motivo para ser, estar e continuar e suas conjugações sem os seus gerúndios. Mas aquela encruzilhada encontrada vai definir que a escolha foi feita por um bem maior. Pela vontade que precisa vencer o desejo do egocentrismo, da banalidade das modernidades às quais as relações se fundiram. Uma estrada é bem melhor caminhada, quando se caminha a dois e as mãos se entrelaçam no meio do caminho mudando muitas vezes o foco da viagem.

A idéia não parecer dependente, mas tornar-se um cuidadoso do bem mais precioso e que se não fosse de músculos, seria de cristal com tamanha facilidade que se quebra. Um coração é um imenso emaranhado de idéias pessoais, conjuntas, familiares e todos os seus arquétipos, mas ao cuidar de alguém mais do que a si mesmo é confiar que você será tão bem cuidado como se você fosse cuidado por você mesmo.

Confuso? Muitas vezes parece ser confuso o romantismo vivido pelas pessoas. Mas o romantismo nos faz pensar em mais do que nós mesmos. Faz-nos pensar no outro, num turbilhão de idéias que podemos construir com quem realmente acredita e espera ser acreditado por nós. Decisões conjuntas são formas de cuidar, mais do que isso, é uma forma de respeitar o cuidado que nos é dedicado. De receber bem o carinho que nos é direcionado em pensamentos, atos, palavras, presentes.

Vamos elevar nossos pensamentos a um estágio alfa e tentar perceber que cuida de nós a ponto de merecer que cuidemos em reciprocidade. Vamos pensar um pouco mais naqueles que realmente sabem como abrir mão de si mesmos para simplesmente dedicar-se a fazer de nós mais felizes, mais completos, mais sensíveis, mais seguros. Será que correspondemos às expectativas?

Bem, na vida é assim mesmo. É preciso reorganizar os pensamentos para ter certeza do que queremos ao certo.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Avareza do Destino


As vezes parece que falta um pedaço de mim. Acordo no meio da madrugada, perco o sono e os pensamentos me assolam. Fico ali no escuro da noite, pensando tentando por na balança todas as coisas que realizei e o saldo sempre parece negativo. Aliás, eu sempre tive essa tendência de menosprezar as minhas atitudes, de achar que foram pueris demais para a minha idade.

A vida sempre nos proporciona coisas ótimas, nós é que diante das oportunidades as tornamos confusas porque esperamos demais de tudo. Esperamos demais da carreira, do amor, da vida pessoal, dos amigos, de nós mesmos e quando damos de cara com a realidade tendemos a nos frustrar. E a única forma de descarregarmos esse peso negativo acaba sendo insensatamente nas pessoas que estão mais próximas a nós.

O choro parece preso na garganta, a respiração parece fungar muito e diante de mim surgem as imagens dos meus pesadelos mais constantes. Fico às vezes me martirizando, me lamentando de tudo, mas não consigo chegar a um ponto do qual eu possa reiniciar. Nada nem ninguém conseguem se aproximar dessa tristeza para trazer algo positivo e por melhores que as coisas aconteçam tenho sempre a tendência a encontrar algo negativo.

Acho que isso tudo está relacionado a um sentimento de culpa que não parece ser muito evidente. Uma culpa de estar onde estou, passando pelo que estou passando, por ter tomado decisões erradas. Pela impressão de algo que não deveria ter um peso tão grande. É um passado que remonta armadilhas no meu futuro. Pensamentos que hoje me fazer ouvir aquilo que um dia eu disse em outra circunstância, mas que diante da interpretação do tempo pareço avarento demais. Fico remoendo isso, tentando descobrir como melhorar, mas tudo que passa pela minha cabeça é a dar fim a esta epopéia da forma menos dramática possível.

Tudo parece ter uma linha tênue que leva ao arrependimento de tantos, mas na realidade fui eu quem fez a escolhas e certas ou erradas meu destino é quem me ajudou a conduzi-las. Fiz o que quis e agora e arcar com as conseqüências de estar cada vez mais distante do meu objetivo, pois as marcas das pegadas na areia parecem estar se apagando e não tem ninguém me carregando no colo. E é por isso que continuo a estremecer todas as vezes que ainda penso no caminho de estrada que tenho por trilhar, pois o chão não parece tão firme quanto antes.

E amanhã, quando eu olhar no espelho não verei mais este rosto choroso, pois tenho que me fortalecer para uma nova empreitada. Não mais esperar o tempo passar, pois tenho planos ainda guardados na minha cabeça. Uma decisão atrás da outra que somente eu conheço e ninguém mais vai poder desvendar antes que elas venham à tona. Tudo que parece durar pouco tempo, pode destruir algo que durou muito tempo e assim as coisas se perdem, pela falta de um sentimento que valha à pena.

Se não for hoje, será amanhã ou num outro dia que essa epopéia chega ao fim ou leva ao fim. Porém esta batalha é individual, decisiva e irreversível. Decisões são decisões e para se sustentarem precisam ser bem embasadas, farei isso com a vitória do tempo sobre o desperdício dele mesmo com tudo que não vale a pena, mas alimentamos como se fosse a única esperança de vida.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Romantismo Em Deacadência ?



Aquela fase de mandar flores acabou. Os bombons, só ser forem diet. Os suspiros viraram sinais de fraqueza e assim se vai o sentimento mais nobre que prediz o amor. Tudo hoje gira em torno do que agrada a si, o outro está sempre em segundo plano. São decisões, desejos, vontades que prevalecem sobre as do ser amado. Saudades do tempo em que não se fazia nada sem conversar antes com o partner escolhido para uma vida. Daquele tempo em que as pessoas preocupavam-se em dizer coisas que não magoassem as outras e que viver assim não era nenhum martírio.

As prioridades não estão mais dentro das relações Estas hoje fazem parte de uma lista de coisas que possuem prioridade zero. Concorre com a carreira profissional, com a vida familiar, com os objetivos e sonhos de cada um. Não se fazem mais relações aonde se agregavam os sonhos de um e de outro, estas são raras, se é que ainda existem e se formaram antes desses novos sinais dos tempos.

A vida por si só já é uma caminhada muito extensa, amarga, muitas vezes espinhosa, mas quando caminhamos juntos, encontramos formas de transpor esses obstáculos mais facilmente. Não é fácil olhar para trás e ver tudo o que desperdiçamos pensando somente no futuro, esquecendo de viver o presente. E aí só encontramos um par de pegadas no chão e uma solidão que nos corrói o peito.

Queria muito que este tempo voltasse.

Queria enxergar as relações com algumas perspectivas diferentes. Olhar para o presente, sem me preocupar com as rugas do futuro ou o saldo da minha conta bancária quando eu for um ancião. Cada momento precisa ser vivido na sua intensidade e não podemos ficar desperdiçando a vida com ideais sem fundamento, que não nos conduzirão a lugar nenhum se não tivermos um amor com quem dividir a cama fria no inverno.

A solidão é um mal que atinge o mundo atual, acompanhado da famosa depressão gerada pelo tão comentado stress. Mas cada dia mais, as pessoas se isolam dentro de si mesmas. Esquecem que é preciso dividir os bons e os maus momentos. Criamos as partidas imediatas ou compulsórias o tempo todo através das nossas ações. Tornamo-nos egoístas, egocêntricos e individualistas sem ter qualquer tipo de ganho com isso a não ser a uma falsa sensação de independência. Continuamos tão dependentes quanto antes, só que agora da solidão.

As pessoas caem na real e se colocam na posição de vítima como as incompreendidas por não encontrarem um amor verdadeiro, mas no fundo encontraram-se com seu próprio ego e o fizeram crescer de tal forma que acabam por achá-lo um substituto. Porém à noite, o ego não vai aconchegá-lo nos seus braços, dizer eu te amo com a sinceridade e a ternura que se precisa para ser completo.

Talvez toda essa sensação de solidão chegue a um ponto em que precisemos evocar o romantismo como a única cura, mas até lá precisamos continuar lidando com as deficiências que nós mesmo criamos para sermos felizes. A tranqüilidade de uma vida à dois precisa de muitas coisas para ter a continuidade desejada por tantos anos e até o final da vida, mas somente os olhos de quem realmente sente pode enxergar os pontos que deixaram a relação se perder em cada passo da estrada.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Condução Telejornalística

Aí me pego assistindo alguns jornais como o do SBT com um Hermano alguma coisa e me dou conta do quanto a Fátima Bernardes faz falta. Hoje em dia parece que virou moda que os jornalistas expressem a sua opinião no momento que estão apresentando alguma matéria ou reportagem.

O mais engraçado é que também assistindo a Rede TV foi possível perceber a mesma situação. O apresentador do jornal, ao fim de uma matéria onde o atual governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, falava sobre a atuação da polícia nas favelas cariocas e comentava que se ainda havia balas e armamentos a polícia ia continuar. Corta para o estúdio, o apresentador comenta: “Já estou ouvindo isso há alguns dias” ou algo parecido.

Entendo que uma coisa é você comentar o assunto de forma imparcial, se referindo as matérias já apresentadas em outros momentos, como se fosse um referencial histórico, mas não concordo que soe como opinião própria. O jornalista, como profissional deve manter a sua imparcialidade diante do assunto para não conduzir a opinião pública.

Hoje é moda e são poucos os jornalistas que mantém uma linhagem ética. Observo os telejornais e querendo ou não, os apresentadores de todos os jornais da Rede Globo hoje não apresentam essa característica. Sempre que há alguma referência a outras matérias com a idéia de confrontar com a matéria atual. As manipulações da notícia acabam surgindo de outra forma.

Em todos os aspectos precisamos ser bastante observadores quando se trata de condução de opinião. De uma forma geral a mídia influencia na capacidade que temos de elaborar as nossas próprias idéias sobre os assuntos, ainda mais quando lidamos com esse tipo de profissional que não deveria atuar no campo de telejornalismo.

Para formarmos as nossas opiniões devemos sempre agregar várias fontes de informação, conciliar idéias e discutir com pessoas para assimilar pontos de vista. É essencial que tenhamos maturidade para enxergar e criar a nossa própria linha de raciocino ou mesmo nos identificar com alguma já existente.

Os meios de mídia devem servir para informar e não para influenciar. Da forma que algumas matérias são conduzidas, as coisas parecem não ter regularidade nunca. Se um inocente morre de bala perdida, a culpa é da polícia que provocou o tiroteio, mas se uma gangue desce o morro para fazer uma blitz falsa, a culpa também é da polícia que não atua. A idéia não é discutir essa afirmação, mas cada um desses telejornais leva sempre a acreditar no que eles querem e nós temos que ser sensatos para filtrar e ignorar os comentários sem sentido desses jornalistas ou a manipulação das idéias propostas por eles.

Temos que ter preocupação de enxergar além. Hoje as pessoas acham que pagar R$ 1,00 para o governo fornecer remédios é uma vantagem do governo atual. Mas os remédios não deveriam ser fornecidos gratuitamente pelos hospitais públicos? Alguém leu que a cesta básica caiu de 25 para 15 itens? E quanto a lei enviada pelo nosso presidente para o congresso, reduzindo a aposentadoria das mulheres que não tiverem filhos em até 50%?

São pontos que os jornais não comentam insistentemente. E que nas mãos de maus jornalistas podem gerar uma comoção nacional ou mesmo passar despercebido de forma negligente.

Precisamos estar atentos e sempre em aprendizado, mas nunca manipulados...

Meu conselho? Ouça Lúcia Hippólito na rádio CBN, ou leia Uol News. Por ser uma renomada analista política, o programa dela é sensacional e ela tem uma visão mais ampla do que as limitações dos jornalistas televisivos.

Como diz um provérbio chinês:

“O burro não aprende nunca.”
“O inteligente aprende com as próprias experiências”
“O sábio aprende com as experiências dos outros.”