sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Acordando


Temos tantas coisas pra pensar que as vezes esquecemos de pensar em nós mesmos. Nossas bases são nossos sonhos e a expectativa de realizá-los, mas tudo acontece tão rápido que acabamos colocando a nós mesmos em segundo plano.
Hoje acordei especialmente feliz por não te ter mais ao meu lado. Acordei pensando em quanto a vida foi boa pra mim por ter me feito sofrer como sofri e assim amadurecer pensamentos que até então se perdiam entre sonhos e realidade. Fiquei pensando na minha natureza dita tão catalisadora de emoções e acho que hoje, quando acordei sintonizei um sinal que me fazia feliz.
Estou tentando ficar forte novamente, é claro que preciso de esforço e auto confiança estáveis e hei de chegar lá. Preciso pensar em mim, no que eu quero, no que eu preciso, no que eu ainda pretendo ser. Preciso ser um pouco egoísta para tentar não ser tão confrontador face aos meus sentimentos. E me erguer novamente...
Sinto te dizer que o entusiasmo está voltando. Que estou sobrevivendo ao mundo sombrio que você me dedicou e o melhor de tudo, estou saindo dele. Alimentando-me dessa despedida que demorou tanto a surgir, mas que agora só vai me fazer revirar por sentir orgulho de mim mesmo. Hoje o que foi tudo passa a ser o nada, passa a receber o meu desprezo e me deixar contente por conta disso. Vou me olhar no espelho, encontrar meu caminho e ser feliz, solitário ou não, preciso fazer-me bastar e é isso que eu vou fazer.
Passo a passo, vivendo um dia após o outro, mas me sinto refeito cada vez que o vento sopra ao meu rosto a sensação de liberdade e do que sou capaz de me libertar.
Vendo "Juno", um dos filmes indicados ao Oscar 2008, pude me dar conta e me inspirar que viver um grande amor está preso ao sentimento, mas também a decisão de vivê-lo. A forma de conduzir uma situação que teria tudo pra ser dramática e até trágica, mas transformá-la em normalidade constante até que os 9 meses se curvem e a solução do problema sobressaia. Pode não levar os nove meses, afinal vão se quase 5 deles, mas já estou enxergando, lá na frente um passo tão grande que darei e pisarei com a firmeza de quem conhece o caminho.

Sinto-te só.
Paciência...
Esse problema quase foi meu... porém...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Deduções


É bom poder caminhar se pudermos enxergar o horizonte como um todo. Aquela tênue linha que parece o fim de um caminho, mas que nunca conseguimos nos aproximar dela para terminar a tal estrada. Seguimos em frente, sentindo a cada gota de suor que escorre por todos os poros, mas precisamos chegar até lá. Muitas vezes é assim que sinto a visão de tudo e ao mesmo tempo de nada, pois supomos que o fim está próximo, mas na realidade a continuidade nos faz perecer diante do cansaço e nada do tal final chegar.
Fala-se muito em andar sobre as nuves, mas atualmente ando sob elas, sob uma tempestade de pensamentos que transcrevem nos meus olhos uma tristeza incurável por não saber o que quero realmente. É a dúvida ? A inconstância ou a falta de fé na humanidade? As tais nuvens as quais simbolizam a felicidade, pois andar sobre as nuvens conota satisfação, não suportam meu peso, o peso dos meus problemas, o peso dos meus pensamentos, o peso das mágoas que eu ainda alimento por tanto motivos que não consigo elencar.
É engraçado como as coisas podem parecer turvas diante do meu olhar agora. O que talvez me fosse oferecido de bom grado está relacionando-se com uma desconfiança, com um sentimento de demérito que eu realmente não sei mais ler nas entrelinhas. Parece que o "querer" encontrar a felicidade se tornou doentiamente uma caminhada como a que enxergamos no horizonte uma falsa linha de chegada.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Andando em Círculos


Tudo parece o mesmo. São os mesmos rostos, os mesmos lugares, a mesma batida e a única coisa que parece ter mudado sou eu. Não há mais olhares lânguidos esperando pelo encontro com os meus, ou sorrisos simpáticos de alguém que não quer mais do que 5 minutos. Falta espaço para respirar e tudo o que eu enxergo está turvo sob aquela mesma fumaça que eu já percebi antes.

Aí respiro fundo e não percebo mais nada a minha volta. Me concentro nas músicas que amo, nos pensamentos aonde eu sou o herói e começo a viver uma realidade alternativa só pra que naqueles poucos minutos, que se transformam em horas eu possa me sentir mais do que um ponto de areia num quadro que pinta o deserto.


Vivo a cada dia como se um passo estivesse ficando mais lento do que o outro e os interesses não refletem a força que um dia eu tive pra chegar em algum lugar que hoje, sinceramente eu nem sei aonde fica. Surge a vontade de pontuar esse momento e criar um parágrafo após 32 anos para começar a escrever tabulado na outra linha as palavras que o inconsciente esconde embaixo de uma força que não existe mais, mas que seguro o meu sorriso mecânico no rosto, vincando as rugas que a idade já me concede.


Não, não é medo de envelhecer e nem o medo da solidão, é sim, um medo de que todos percebam que estive errado por tantas vezes em acreditar no que não existe. Por acreditar que tudo pode ser duradouro, eterno, firme, conciso, mas por fim acreditar que nada pode ser tudo isso, senão o chão com o qual friamente me defronto diariamente quando observo no espelho.