segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Andando em Círculos


Tudo parece o mesmo. São os mesmos rostos, os mesmos lugares, a mesma batida e a única coisa que parece ter mudado sou eu. Não há mais olhares lânguidos esperando pelo encontro com os meus, ou sorrisos simpáticos de alguém que não quer mais do que 5 minutos. Falta espaço para respirar e tudo o que eu enxergo está turvo sob aquela mesma fumaça que eu já percebi antes.

Aí respiro fundo e não percebo mais nada a minha volta. Me concentro nas músicas que amo, nos pensamentos aonde eu sou o herói e começo a viver uma realidade alternativa só pra que naqueles poucos minutos, que se transformam em horas eu possa me sentir mais do que um ponto de areia num quadro que pinta o deserto.


Vivo a cada dia como se um passo estivesse ficando mais lento do que o outro e os interesses não refletem a força que um dia eu tive pra chegar em algum lugar que hoje, sinceramente eu nem sei aonde fica. Surge a vontade de pontuar esse momento e criar um parágrafo após 32 anos para começar a escrever tabulado na outra linha as palavras que o inconsciente esconde embaixo de uma força que não existe mais, mas que seguro o meu sorriso mecânico no rosto, vincando as rugas que a idade já me concede.


Não, não é medo de envelhecer e nem o medo da solidão, é sim, um medo de que todos percebam que estive errado por tantas vezes em acreditar no que não existe. Por acreditar que tudo pode ser duradouro, eterno, firme, conciso, mas por fim acreditar que nada pode ser tudo isso, senão o chão com o qual friamente me defronto diariamente quando observo no espelho.

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