Mais um daqueles finais de novela repetitivos. Quem não se lembra da pergunta que o país tentava responder? "Quem matou Odete Roitman?" da Rainha da Sucata. Esses finais parecem se repetir, mas sempre ativa a curiosidade do povo para uma questão nada mais que fútil, mas que está presa à magia da televisão e o quanto ela nos cativa. Parece que é a fórmula de sucesso de quase todas as novelas de quase todas as emissoras, mata-se um personagem principal para aumenta o ibope com a curiosidade do povo. Eram os dois assuntos da sala de aula hoje na faculdade, quem iria matar a Taís e o jogo do flamengo de ontem.
Enquanto eu divagava com o professor que defendia as taxas de juros altas para manutenção de uma inflação baixa, se esquecendo apenas que o desemprego também está em alta, paralelo ao juros. O melhor de tudo foi ouvir que se toda a classe C conseguir comprar carro, vamos congestionar a indústria de automóveis, é esse tipo de pensamento elitista que faz com que as pessoas acreditem que não são nada para a sociedade atual. É claro que um pai de família precisa fazer escolhas, mas convenhamos sempre damos uma apertada no orçamento quando o assunto é conforto e entretenimento.
Vejo o governo levantar a bola de que criou não sei quantos mil empregos, contudo o que foi criado foram empregos de baixa renda. Na realidade algumas pessoas estão formalizando a economia informal, mas não está se criando empregos de nivel intermediário ou administrativo. É um governo hipócrita, aonde o Ministro da Previdência diz numa entrevista na TV JB que os prazos de agendamento dos postos do INSS cairão para 45 dias, como se isso fosse um prazo viável, como se a base de funcionários do INSS fosse sub-dimensionada, mas na realidade o que vemos é a inércia da máquina pública aliada a uma má gestão que não está preocupada com resultados e nem satisfação do pagador de impostos.
Continuamos presos a essa ineficiência dos braços das autarquias que não cumprem com as suas responsabilidade. Atualmente ninguém cobra inovação dessas, mas espera que pelo menos façam aquilo para o que foram criadas.
Para cobrir os débitos da previdência o Presidente Luis Inácio Bossal da Silva tenta bolar leis para reduzir os pagamentos daqueles que contribuíram integralmente. Seja a mulher solteira e sem filhos que teria a sua pensão cortada em 50%, seja a infeliz que ficou viúva e não vai ter mais direito a pensão do marido (pergunta-se: quem vai ficar com o dinheiro que o marido contribuiu durante anos, tirando da família para alimentar o INSS?) Chega a ser ridículo pensar que vamos tirar de quem pagou anos para alimentar o rombo criado pela falta de auditoria de um órgão que lida com o dinheiro do trabalhador há anos.
Enquanto isso, na sala de justiça, tem um monte de gente recebendo todos esses bonus: Cheque cidadão, bolsa família, bolsa escola, para ficar em casa coçando. Noutro dia cheguei a ver um cidadão que tinha acabado de sacar seu bolsa família numa casa lotérica se dirigindo ao Maracanã para comprar entrada de jogos. Porque não fazer isso com o seguro desemprego também ? Se o governo está criando tantos empregos quanto diz que está, pra que tantos benefícios ? Esses benefícios não são auditados ? Esses infelizes vão receber esse benefício vitaliciamente ? Eu estou pagando CPMF para que essas pessoas sejam sustentadas ?
Concordo que a renda da população está mal distribuída e com todo aquele discurso que um dia o PT, com o Lula a sua frente fez e que mesmo no poder não resolveu nada, mas convenhamos são tantos projetos pra ajudar aos menos favorecidos que atualmente tá sendo mais vantajoso ficar nessa linha da pobreza que todo mundo tanto enuncia. Não faço nada e ainda cobro taxa por quantidade de filhos gerados.
É sabido que os ricos ficaram mais ricos, a classe A que concentra os grandes investidores lucram com os juros altos imputados pelo governo, a Classe B com a queda do Dolar tá se achando classe A-, a classe C perdeu o pouco que tinha com o achatamento do mercado e com a quantidade de impostos pagos sem ganhar o que a classe A e B ganham e as classes D e E receberam mais meio quilo de carne de segunda, um mais um pãozinho francês dormido e está se sentindo privilegiada e assim vamos... ainda mais porque daqui a pouco o caju entra na cesta básica.
O povo aceita ser enganado por meio quilo de acém, só pra comer pensando que é picanha, mas não para pra pensar que as coisas não mudaram nada. O litro de leite que há um ano custava em torno de R$ 1,50, hoje está custando algo na casa dos R$ 2,20, ou seja, algo em torno de 46% de aumento. Será que ninguém enxerga isso ? Será que somente poucos conseguem fazer contas? Ou o leite ficou tão caro que as pessoas pararam de olhar pra ele ?
Eu concordo que política e economia não são assuntos fáceis de serem compreendidos, mas a percepção de quando estamos sendo roubados é nítida, objetiva, rápida e dolorosa. Podemos perceber nos supermercados os preços estão sempre instáveis, dificilmente algum ítem de uso contínuo está o mesmo preço diariamente.
Mas a pergunta que não quer calar é: "Quem matou a Taís Grimaldi?"

