
As vezes parece que falta um pedaço de mim. Acordo no meio da madrugada, perco o sono e os pensamentos me assolam. Fico ali no escuro da noite, pensando tentando por na balança todas as coisas que realizei e o saldo sempre parece negativo. Aliás, eu sempre tive essa tendência de menosprezar as minhas atitudes, de achar que foram pueris demais para a minha idade.
A vida sempre nos proporciona coisas ótimas, nós é que diante das oportunidades as tornamos confusas porque esperamos demais de tudo. Esperamos demais da carreira, do amor, da vida pessoal, dos amigos, de nós mesmos e quando damos de cara com a realidade tendemos a nos frustrar. E a única forma de descarregarmos esse peso negativo acaba sendo insensatamente nas pessoas que estão mais próximas a nós.
O choro parece preso na garganta, a respiração parece fungar muito e diante de mim surgem as imagens dos meus pesadelos mais constantes. Fico às vezes me martirizando, me lamentando de tudo, mas não consigo chegar a um ponto do qual eu possa reiniciar. Nada nem ninguém conseguem se aproximar dessa tristeza para trazer algo positivo e por melhores que as coisas aconteçam tenho sempre a tendência a encontrar algo negativo.
Acho que isso tudo está relacionado a um sentimento de culpa que não parece ser muito evidente. Uma culpa de estar onde estou, passando pelo que estou passando, por ter tomado decisões erradas. Pela impressão de algo que não deveria ter um peso tão grande. É um passado que remonta armadilhas no meu futuro. Pensamentos que hoje me fazer ouvir aquilo que um dia eu disse em outra circunstância, mas que diante da interpretação do tempo pareço avarento demais. Fico remoendo isso, tentando descobrir como melhorar, mas tudo que passa pela minha cabeça é a dar fim a esta epopéia da forma menos dramática possível.
Tudo parece ter uma linha tênue que leva ao arrependimento de tantos, mas na realidade fui eu quem fez a escolhas e certas ou erradas meu destino é quem me ajudou a conduzi-las. Fiz o que quis e agora e arcar com as conseqüências de estar cada vez mais distante do meu objetivo, pois as marcas das pegadas na areia parecem estar se apagando e não tem ninguém me carregando no colo. E é por isso que continuo a estremecer todas as vezes que ainda penso no caminho de estrada que tenho por trilhar, pois o chão não parece tão firme quanto antes.
E amanhã, quando eu olhar no espelho não verei mais este rosto choroso, pois tenho que me fortalecer para uma nova empreitada. Não mais esperar o tempo passar, pois tenho planos ainda guardados na minha cabeça. Uma decisão atrás da outra que somente eu conheço e ninguém mais vai poder desvendar antes que elas venham à tona. Tudo que parece durar pouco tempo, pode destruir algo que durou muito tempo e assim as coisas se perdem, pela falta de um sentimento que valha à pena.
Se não for hoje, será amanhã ou num outro dia que essa epopéia chega ao fim ou leva ao fim. Porém esta batalha é individual, decisiva e irreversível. Decisões são decisões e para se sustentarem precisam ser bem embasadas, farei isso com a vitória do tempo sobre o desperdício dele mesmo com tudo que não vale a pena, mas alimentamos como se fosse a única esperança de vida.
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