Quando tudo tiver acabado eu quero, do fundo do meu coração, que a realidade apesar de dura, fria e cruel seja uma boa mãe. Ela cria seus filhos com firmeza e estimula a coragem neles sem receio que um dia eles a enfrentem de frente, pois a intenção é esta. Como acontece há vários meses, não acordei bem e apesar de ter olhado pela janela e me enchido de esperança principalmente de mudanças.Estou olhando a vida com outros olhos, com os olhos de quem não há quer mais. Com os olhos de quem um dia sonhou encontrar um grande amor recíproco, fiel, estável, corajoso, sublime, eterno... Mas não o há e se há talvez eu não seja digno dele por ser quem eu sou, por estar aonde estou, por tudo parecer que não valeu a pena, talvez por nada mesmo. O lance é que não há culpa, não há o que ser compreendido. Talvez eu já esteja no final da estrada ou talvez esteja somente enxergando o final dela, com aquela luzinha pendurada no tunel que esteve por muito tempo escuro.
Apenas cansei de me achar certo, num mundinho meu, que acreditava e estava errado. Para isso sempre impunha meu ponto de vista grosseiro, arrogante, crítico, agressivo, irresponsávelmente com ares de responsabilidade. Não sei como mudar tudo isso. A passividade e a aceitação de algo que não se pode questionar é algo que me irrita, me entristece e acabam compondo pensamentos que me aterrorizam por não encarar a submissão como algo tão ruim, pequeno, medíocre e desnecessário. Ninguém pode tentar dominar a vida de ninguém, mas se eu mesmo fui algoz na tentativa de agir assim com quem eu dizia amar sob a desculpa da palavra: preocupação, como criticar ?
Todos fazemos parte deste quebra-cabeça, mas eu fui aquela peça que quase encaixa, ou melhor, que nunca encaixa dentro dos seus próprios conceitos de individualidade. É isso que mais me faz ficar para baixo. Quero que tudo que menos importa seja entregue a cada um como recordação do melhor que eu pude dar de mim, dos meus sentimentos.
Ficaram algumas vitórias de batalhas que eu travei, mas a minha maior guerra não foi vencida e hoje me sinto abatido por bombardeios de palavras e inseguranças com "Bad Girl" tocando ao fundo dos meus pensamentos envolto na involução que a minha vida se tornou.
A cada célula de gordura, as olheiras que sempre me foram fiéis e presentes, as rugas que começam a surgir, aos primeiros fios de cabelo brando: Alívio. Por algo que pode não durar mais que um dia ou talvez mais 40 anos e sejamos breves.
Sem tudo isso podem balançar a cabeça afirmativamente na admissão do termo: controlador, quando se referirem a mim, além de outros adjentivos ainda menos nobres para co-adjetivarem a minha memória dos anos que compartilhei dis essas agruras sem distinção. Há muitas perdas e danos.
Sinto como se tudo estivesse se esvaindo dentro de mim, dentro dos meus pensamentos, dos meus sonhos, como se só me faltasse coragem para a covardia da decisão final e definitiva.
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